Educação

 

ELE NÃO APRENDEU A APRENDER

Outro dia estava conversando informalmente com um rapaz, de 22 anos, que abandonou os estudos na 6° série. E eu, apaixonada por conhecer e aprender, perguntei a ele:

 

-Fulano, porque não voltas a estudar? E ele me responde: – Detesto estudar. Então pergunto: – Mas você não gosta de aprender? E para minha surpresa ele responde: – Ah, aprender eu adoro, estudar não!

 

Citei este diálogo, pois me parece ser exatamente o que Hugo Assmann, em seu livro Reencantar a Educação, quis nos dizer. Existe um desprazer quando se fala em educação. Parece-nos que o desejo e a curiosidade de aprender não podem ser encontrados (ou realmente não são) na escola. As crianças, os jovens e até mesmo os adultos não se sentem atraídos e muito menos satisfeitos em estar nos bancos escolares para sanar seu desejo de aprendizagem e conhecimento. Talvez esteja faltando aos educadores mais sensibilidade e, porque não dizer, mais amor pelo aprendizado. E, desta forma, conseguir mostrar que estudar e aprender são a mesma coisa, ambos levam a aquisição de conhecimento. Culturalmente, aprender esta relacionado a algo que satisfaz e nos faz melhor, enquanto estudar tem uma conotação de algo ruim.

 

Penso que este rapaz nunca havia feito uma relação entre estudar e aprender, pois estudando ele estaria aprendendo, e pelo fato de estar aprendendo estaria suprindo um desejo seu. Algo que ele gosta de fazer: aprender.

 

Este episódio denuncia a importância de se desenvolver uma consciência crítica na educação desde as séries iniciais. Se neste rapaz tivesse sido desenvolvida a capacidade de pensar, nos poucos anos que frequentou a escola, provavelmente não teria abandonado os estudos e toda sua trajetória teria se configurado de outra forma, com considerável melhora na qualidade de vida*. Ele aprendeu na escola a escrever e ler (ambos muito mal), mas não aprendeu a pensar e com isso não aprendeu a aprender.

 

Talvez muitos de nós ainda tem preconceitos quanto ao ato de estudar, reminiscência de uma educação equivocada na infância.

 

Abç

 

* Apresentava sinais de baixa auto-estima, dificuldade de comunicação e de relacionamento interpessoal. Este quadro seria significativamente alterado com aquisição de conhecimento.

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